domingo, 10 de fevereiro de 2008

Diário de um urso panda em vias de extinção

Sozinho, triste e abandonado é assim que me sinto nesta vasta região do Norte da China.
Olho em meu redor,mas nada vejo, nada sinto, nada oiço,... Quando os outros animais passam por mim riem-se e exclamam para as suas crias:
-Olhem, este é o último panda do nosso planeta.
-Oh!Exclamam elas surpreendidas.
Este episódio sucede-me várias vezes, não pensem que foi um caso único, e então cada vez fico mais desiludido.
Todos os dias caminho por estas florestas com esperança de ouvir algo: Um ruído, um chapinhar de água, umas pegadas conhecidas, mas nada,... Só oiço o vento bater nas folhas das árvores, altas e magnificentíssimas, que desde sempre são a minha companhia. Há anos que procuro um ser, um ser que me compreenda,com quem possa desabafar os meus medos, as minhas alegrias e brincar.
Agora que passou a estação do Inverno, vem aí a Primavera em que as flores renascem cheias de vida, as árvores voltam a ser verdes, os pássaros voltam a cantar e o Sol a brilhar.
Num dia de Primavera, saí de casa como já era meu hábito à procura de um amigo, de um companheiro, e, ao passar por uma árvore, esta vergou-se toda com se fosse partir. Então, segundos mais tarde caiu de la um panda. Um panda!?'
Os meus olhos brilhavam,o meu corpo tremeu,e nem sabia se havia de rir ou de chorar de tanta alegria que estava a sentir. Ficámos os dois parados a olhar um para o outro. Tínhamos compreendido que afinal não estávamos sozinhos no Mundo, éramos seres da mesma espécie.
Hoje sim, sou feliz e tenho um amigo.

Texto original escrito por Inês Fernandes

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