Achei muita graça a este texto porque exprime o que pensam muitos citadinos, sem terem a coragem de o afirmar. A ideia do trabalho era dizer o oposto, mas convenhamos que era demasiado "vulgar".
A qualidade de vida nas grandes cidades é subjectiva. Dependendo dos nossos gostos e preferências, achamos mais ou menos fantástico, viver na grande metrópole.
Para mim, é com grande alegria que enfrento todos os males do dia-a-dia numa grande cidade. Adoro andar de elevador pela manhã, apanhar os transportes e ir para a escola. Adoro o barulho dos autocarros e a diversidade de pessoas com as quais posso contactar. Adoro lojas. Adoro a rapidez do metro. Adoro filas de trânsito e adoro o Pingo-Doce. Também adoro museus.
Para quem sempre viveu na cidade, os barulhos e o stress típico deste meio tornam-se quase um calmante. Mandem-me para o campo por mais que duas semanas e enlouqueço. Há demasiado verde e demasiadas galinhas. Há menos diversidade cultural e tudo é razão para mexerico. Mexericos nascem e crescem como ervas daninhas.
No entanto, temos que admitir que viver na cidade pode ter as suas desvantagens: a poluição, o stress, os preços, a falta de tempo e as longas distâncias. É bastante mais provável que se leve uma vida mais calma e saudável, afastada da confusão citadina, do que em contacto directo com ela. Para as crianças e idosos é especialmente mais provável. Não é qualquer um que consegue manter a sanidade mental num ambiente tão confuso, mas tão interessante como o da cidade. Como tal, receito a todos aqueles cuja confiança é baixa bem como a paciência e a capacidade de improviso, a viverem em zonas calmas, bem longe das belas e grandes cidades.
Joana Feio
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