Um dia soalheiro à sombra de um jacarandá, observo o outono a chegar, o mês do Outono, as folhas a cair, encarnadas, com caules bem carnudos e espessos.
Nos momentos a seguir, começo a meditar sobre o baile que irá acontecer esta noite e que se calhar até vão retirar estas folhas lindíssimas, transformar esta paisagem, enchendo-a de cadeiras e mesas que a estragam por completo. É uma visão tão bela, tão outonal e tão rica em cores, que enche os olhos a quem contempla esta maravilha. Mas isto tudo, esta paisagem, esta vista, este panorama, tudo isto vai ser destruído por um simples baile, uma grande agitação, tudo em pé, a cantar, a dançar e até alguns a jantar, enquanto quebram cada pétala, cada flor, cada folha, cada planta. Que pena! E depois o violino, aquele instrumento irritante, estridente, que, em cada agudo, faz estremecer, mais uma vez, todas as árvores daquele bosque.
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